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Como a versão Windows foi certificada e como foram os testes internos e externos

Eng. Nelson Covas - Edição Nº. 13 - Maio/00

No desenvolvimento de sistemas de um certo porte, como são os sistemas CAD/TQS, a validação ou a garantia da exatidão do funcionamento dos programas e resultados dos processamentos assume uma importância fundamental.

Paralelamente aos recursos empregados para o crescimento linear dos sistemas, os recursos dispendidos para validação e garantia da qualidade crescem de forma exponencial. Sempre que surge a oportunidade é importante afirmar: não existe programa à prova de erros, estes sempre existem, maiores ou menores, para quaisquer programas; o que existe é programa mais ou menos testado, isto é, mais ou menos confiável, com menor ou maior qualidade.

Para assegurar a qualidade dos sistemas desta nova versão Windows, antes da entrega oficial aos clientes, desenvolvemos uma metodologia de testes e validação que consistiu no seguinte:

  • Utilização interna por funcionários em projetos reais;
  • Utilização externa por clientes pilotos;
  • Testes de todos os comandos/funções para os novos programas;
  • Processamento da bateria de testes armazenados;
  • Testes reais feitos por clientes selecionados e assistidos pela TQS;
  • Utilização efetiva externa por dezenas de clientes;
  • Liberação da versão final.

Utilização Interna

A utilização interna iniciou-se em junho/99 e foi feita pelo eng. Luiz Aurélio F. da Silva. Diversos edifícios foram processados, total ou parcialmente, na versão Windows. Entre eles, um edifício de apartamentos em Brasília, denominado condomínio Maison Monet, com projeto inteiramente elaborado com a versão Windows.

Clientes Pilotos

A utilização externa foi feita inicialmente por dois clientes especiais: eng. Luiz Carlos Spengler Filho, de Campo Grande-MS e eng. Fernando César Favinha Rodrigues, de Marília-SP. Esta fase teve início em agosto/99 e foi muito importante, pois a visão do cliente nem sempre é a mesma do pessoal interno da TQS. Adiante, descrevemos a impressão do engenheiro Luiz Spengler sobre a versão Windows.

Novos Programas

Os testes intensivos dos comandos e funções dos novos programas iniciaram-se em novembro/99 e terminaram em fevereiro/00. A princípio, julgamos que estes testes seriam mais rápidos, mas a enorme quantidade de novos programas estendeu este prazo por 3 meses, consumindo uma grande quantidade de recursos humanos.

Esta fase envolveu, basicamente, os programas de edição de arquivos de critérios de projeto ( da ordem de 28), editores gráficos específicos por aplicação (12) e editores gráficos para entrada de dados (8).

Para cada programa que trata os arquivos de critérios de projeto, foi necessária a validação da nova reorganização dos critérios e dos textos redigidos além da validação da exatidão da gravação do critério que estava sendo testado. Esse teste foi feito para cada critério comparando-se a gravação do valor do critério na versão DOS e na Windows.

Como os editores gráficos foram totalmente reescritos, testes de cada comando foram realizados para certificar a exatidão do seu real comportamento. Um ponto importante foi a utilização intensa do editor gráfico, nas situações mais adversas, para assegurar que ele não “travasse” durante a utilização e nem danificasse o arquivo de desenho.

Os editores gráficos para as entradas de dados de vigas, pilares, sapatas, blocos, grelha e pórtico também foram testados com extremo detalhe. Foi assegurado que, tanto na leitura do arquivo de dados anterior, como na gravação do novo arquivo, deveria ser mantida a total compatibilidade com a versão DOS. Para isto, tivemos que processar centenas de arquivos, nas duas versões, para garantir essa condição.

Além destas certificações, para a garantia da gravação correta dos arquivos de critérios e dados, foram realizados também processamentos de exemplos típicos, tanto na versão DOS como na Windows, após a alteração de determinados critérios e dados. A comparação de resultados nas duas versões garantiu a validação dos novos programas.

Testes Padrões

Os testes padrões já armazenados e catalogados ao longo dos últimos anos( perto de 1000 testes) foram todos processados nas versões DOS e Windows, tendo seus resultados comparados. Esses testes catalogados abrangem as etapas de análise, dimensionamento e detalhamento de todos os sistemas (formas, vigas, pilares, lajes, grelha, pórtico, sapatas, blocos). Além dos testes específicos, também utilizamos neste procedimento testes integrados com todos os dados e critérios de dois edifícios completos. Os resultados, quando não eram coincidentes, tiveram que ser analisados, comparados e validados. Quando necessárias, correções eram efetuadas nos sistemas. Devido a uma diferença de precisão entre a versão DOS e Windows ( maior precisão), os resultados apresentavam muitas vezes pequenas diferenças.

Implantação em Clientes Assistidos

No período final do desenvolvimento, alguns clientes passaram a utilizar os recursos desta nova versão Windows para elaboração de projetos reais, acompanhados pelo eng. Luiz Aurélio da TQS. Participaram desta implantação dois escritórios de projeto:

  • França e Associados, representado pelo eng. Américo Grieco, que desenvolveu trabalhos para o projeto estrutural, ainda em andamento, do edifício Stadium, localizado em Alphaville-SP.
  • Feitosa & Cruz, representado pelo eng. Silvio Feitosa Sobrinho, que desenvolveu trabalhos para o projeto estrutural, ainda em andamento, do edifício da nova sede da Cesp, em São Paulo.

Implantação em Clientes Independentes

Além dos clientes já citados, iniciamos a divulgação e implantação da versão Windows em diversas empresas por todo o Brasil, em caráter definitivo e de forma independente, a partir de março/00. Podemos destacar algumas empresas nesta modalidade: MAC Cunha, Estádio 3 e Vantec (Porto Alegre), Procalc e PLH (Curitiba), ETJKMF, CEC, Prodenge, Sayeg Enga., Edatec, Rausse&Benvenga, J.R.Ferrari, J.R.Braguim, WA Enga. (São Paulo), Enecol (Natal), Estro (Salvador), Dácio Carvalho, MD Eng. Assoc. (Fortaleza), Coluna, MC Técnica Estrutural (Belo Horizonte).

Instituição de Ensino

De forma pioneira, desde agosto/99, 30 cópias dos sistemas CAD/TQS Windows já estão implantados na FESP - Faculdade de Engenharia de São Paulo - e em plena utilização, para fins educacionais, em matérias de graduação dedicada (sistemas para engenharia civil).

Depoimento de Usuário

Comecei a usar a versão Windows em agosto de 1999. Um sistema completamente novo, muito mais fácil de usar e compatível com todos os arquivos de dados e critérios das versões anteriores.

Sendo usuário dos sistemas TQS desde 1989 e tendo acompanhado passo a passo a evolução dos sistemas ao longo dos últimos 11 anos quero parabenizar o Nelson Covas, Abram Belk e toda a equipe da TQS pelo excelente trabalho. No mês passado (abril/2000), tive a oportunidade de visitar alguns escritórios de cálculo e diversas obras em Houston, USA. Atendendo a curiosidade dos colegas americanos em conhecerem como se faz projetos em concreto armado no Brasil, instalei uma cópia dos programas TQS e fiz uma demonstração usando um edifício de vários pavimentos. Testemunhei a admiração deles ao verem a versatilidade, rapidez e praticidade do TQS/Windows. Ficaram surpresos ao verem como é fácil desenvolver um projeto, partindo da entrada gráfica sobre a planta de arquitetura, as opções de modelos de análise e os arquivos de critérios chegando ao dimensionamento e detalhamento das peças estruturais.

No meu escritório de projetos a transição da versão DOS para a versão Windows demorou algumas semanas. Em pouco tempo já estava fazendo a entrada gráfica pela versão Windows e o restante do projeto no DOS, assim poderia conhecer e começar a ter produtividade no editor gráfico da versão Windows sem comprometer os prazos de entrega dos projetos. Paralelamente, desenvolvia um projeto teste na versão Windows para conhecer todo o sistema e ajustar alguns parâmetros de funcionamento. O usuário agora pode ajustar facilmente as cores do editor gráfico e usar as fontes do Windows nas plotagens. Outra vantagem grande desta nova versão é poder abrir vários desenhos ao mesmo tempo e copiar/colar partes de um desenho em outro, isto aumenta a produtividade. Com o projeto teste ajustei também toda a parte de plotagem. Após esta etapa comecei a desenvolver pequenos projetos na versão Windows e logo depois todos os projetos migraram para a nova versão. Passados 3 meses a valente versão DOS foi aposentada.

A mudança de versão no segundo semestre de 1999 não prejudicou a produtividade do escritório, que tem sido nos últimos três anos em torno de 400 desenhos (tamanho A1 e A0) por ano por engenheiro. Acredito que para o ano 2000 teremos condições de conseguir uma produtividade ainda maior.

Eng. Luiz Spengler
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